domingo, 3 de agosto de 2008
Alivio
Mudanças. Cedo ou tarde acontecem, vivemos num mundo que a cada fração de segundos muda, muda conceitos, valores, idéias, ideais, cabelo, rosto, amigos, tudo. Uma transformação é nisto que estamos presos, nós nos prendemos as mudanças querendo ou não, acabamos esquecendo aquela época antiga que parece tão distante, mas tão perto de você. Veja bem, você esta aqui na frente da minha casa, tentando se desculpar, tentando me mostrar que estou errada, esquecendo de ver quem você se tornou com o passar do tempo. Dizendo para mim o quanto eu sou boba em te mandar pra fora, em querer finalmente ter a minha sonhada felicidade, mas não, dessa vez não há choro que me empeça de viver oque eu quero viver, de sentir. Esse prédio, essas escadas, esse piso, eu sempre amei isso. Tão aconchegante e tão frio ao mesmo tempo, onde sempre discutiamos e depois nos ajeitavamos no quarto fazendo as pazes. Ah, esse prédio.. é oque me motivava a ficar, oque me dava força, os momento passados, que andamos esquecendo depois de tantas brigas, porque é nisto que nosso grande amor se tornou, uma enxurrada de brigas a todo instante e nem mais esse prédio me prende aqui, depois de você ter modificado todo ele, até ele, voce quis mudar. Até ele. E agora me pego olhando neste espelho, a única coisa reconhecida aqui, não sabendo quem eu sou, o quanto de mim fui perdendo nesse nosso amor maluco e incosequente, será que nossa ligação é tão fragil assim? essa magoa, esse rancor, esses choros constantes, isso é o amor? porque se for, não quero mais senti-lo. Odeio. Odeio o modo como gosta de falar nesse tom impetuoso e arrogante de ser, de como quer mandar em tudo que eu faço. Achando-se dono da verdade, mas quem é dono da verdade continua não sendo dono de ninguém. Sempre cometendo os mesmos erros, por mais que a gente tente, todos sabemos, não dá mais. Não dá. Até o cara que me vê comprando pão sabe que não dá mais. Então porque é dificil? Se a razão sabe que não, mas o coração diz que sim.. oque posso fazer? Talvez um pouco de razão nesse amor seria bom. É acolhedor saber que vou continuar comigo, COMIGO de verdade. Você aqui falando todas essas besteiras pra me fazer ficar, pedindo uma chance, outra? outra chance. Das milhares que já foram esgotadas. Mesmo erro, mesma chance. Não, dessa vez não. Decedi-me que esta na hora de ser amada de verdade, de corpo inteiro. Tava tão fácil me ganhar mais, era só dar um paparico, depois dessa cara inchada de choro. Tava. Tempo passado, agora dei pra achar que posso ser amada. E é nisso que esta indo minhas concentrações, então nosso amor chegou ao fim, deu. Deixando você ir, estou me amando. Pensei. Ah, como se fosse fácil, me amar depois de tanto tempo TE amando. Não adianta, já estou saindo porta fora, pode ficar com esse prédio, essas coisas, essas lembranças. Eu não as quero, quero oque foi bom comigo. E assim saio para fora, um sol ardente como há muito tempo não via, se irradiando. É a hora da virada. Penso. E assim eu sigo pela rua, sem amor, sem amigos, sem nada. Deixando tudo que já foi meu, por lembranças, para trás. E aí esta aquele sorriso maravilhoso depois de um choro, ai esta: o alivio.
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