segunda-feira, 6 de outubro de 2008
verão
Era verão, dias quentes, transbordando paixão. Finzinho de tarde a beira-mar, uma brisa leve, refrescando-o. E lá estava, sentado, pensando em como sua vida mudará em tão pouco tempo. Quando observara uma menina, magra, cabelos lisos, morena, de olhos tão penetrantes e tão verdes que seria quase incompreensivel se ele não se lembrasse dela. A sua menina. De algum tempo atrás, mas que fora sua. Vindo com todo aquele charme encatador, sem nem saber oque causava nas pessoas. Seu sorvete, derrentendo, e seu riso de menininha de quatro anos. Com certeza era ela. Ela. Então sua cabeça começa com seus devaneios, com lembranças daquele tempo, tão longe e tão perto daquele banquinho. O cheiro de verão, o perfume dela se propagando no ar, puxando as vezes que ela dissera que o amava. Pensou em se desculpar, pelas coisas do passado, por não ter dado o mercido valor a ela. E ela vinha se aproximando, mais linda do que nunca. Uma beleza inebriante, não se lembrara de como ela era bonita, como a simetria do rosto e a harmonia eram perfeitas. Seus olhos esmeralda, sua boca carnuda e seu nariz arrebitado, uma pele. Ah, como tinha vontade de reviver tudo! De para-la ali e falar que ainda a amava. Certamente o faria. Enquanto ela se aproximava o coração disparava tão depressa, que podia achar que era um ataque cardiaco, as borboletas divinas tinham se apoderado de sua barriga. Foi então que a linda jovem, deu um sorriso encantador, puro e verdadeiro, seus olhos se encheram de vivacidade. E ela começou a andar mais rápido, passando por ele, ele observava tudo. Quando olha para atrás, preferia não ter olhado. Sua menina, correndo para os braços de outro, com aquele ar apaixonado, aquilo que era dele. Então levantou-se, colocou as mãos no bolso, e deixou cair uma lágrima. Foi ai que percebeu, era tarde demais. Tarde demais. Apenas tarde demais para pedir desculpas.
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